A proposta de uso da Toxina Botulínica em Curitiba dentro da Odontologia se faz com finalidade terapêutica, não cosmética. Para tal deveria ser usada com mais critério de indicação. A toxina botulínica foi regulamentada para uso em Odontologia através da Resolução 112/11 do Conselho Federal de OdontologiaCFO – desde setembro de 2011.

Desde que me formei, em Janeiro de 1989, pude perceber em certos períodos da profissão, um costumeiro entusiasmo criado pelas várias “novidades” constantemente lançadas no meio odontológico, sempre com promessas de resoluções eficientes para as diversas dificuldades que encontrávamos na prática clínica, mas quase nunca devidamente corroboradas por estudos sérios e bem conduzidos por entidades científicas renomadas.

Com a Toxina Botulínica em Curitiba foi a mesma coisa. Hoje é a bola da vez na Odontologia, sendo citada por alguns como tendo elevado a mesma à um novo patamar.

Toxina Botulínica em curitiba

Sua promessa seria a resolução de problemas como:

  • Bruxismo (hábito prejudicial de ranger os dentes)
  • Bruxismo infantil
  • Apertamento dental (hábito prejudicial de apertar os dentes)
  • Dor orofacial, Cefaleias Tensionais
  • Hipertrofia (aumento) e dor nos músculos mastigatórios
  • Dores na Articulação Têmporo Mandibular
  • Espasmos musculares
  • Assimetrias da face ligadas à músculos hipertróficos
  • Sorrisos assimétricos
  • Exposição gengival acentuada
  • Sialorreia (salivação excessiva)
  • Instalação de implantes de carga imediata entre outras possibilidades na área de Reabilitação Oral

Entretanto, na prática, não tenho observado resultados realmente contundentes em todos os casos, e confesso ver com certa preocupação a indicação indiscriminada deste procedimento em tantos pacientes por aí afora.

Recebemos regularmente pessoas de vários lugares, que já se submeteram ao uso de Toxina Botulínica em Curitiba para correção de diversos problemas, mas sem o sucesso esperado em todos os casos.

O Bruxismo, por exemplo, é uma doença de ação central. Portanto o estímulo neurológico para que a musculatura contraia continuará existindo com ou sem a presença da toxina.

Quando se aplica a toxina botulínica nesses casos o que se espera seria a diminuição da contração muscular nos músculos passíveis de receberem a droga, por sua posição anatômica favorável, como os masseteres e temporais.

Entretanto a técnica não permite que a medicação seja aplicada nos músculos pterigoideos pois são mais profundos.

Não havendo aplicação em pterigoideos, o movimento mandibular de lateralidade continuará a existir e o paciente não terá o efeito desejado no relaxamento muscular completo.

Da mesma forma acontece com o ácido hialurônico. Tenho observado que pacientes recebem infiltração deste produto em suas articulações têmporo-mandibulares indiscriminadamente.

É inegável que todos conhecem os efeitos cosméticos altamente positivos destas substâncias. Mas é importante que saibam também que precisam ser absolutamente bem indicadas com finalidade terapêutica precisa para que surtam o efeito desejado, pois são produtos de custo elevado e por conseguinte geram procedimento caros, além de poderem provocar possíveis danos aos pacientes caso algum erro na técnica seja cometido.

A verdade é que ainda existe uma carência de estudos que evidenciem cientificamente o uso e o sucesso da Toxina Botulínica em Curitiba no tratamento de disfunções têmporo-mandibulares (DTM).

É importante pontuar que a simples melhora do quadro clínico de um paciente (ou grupo de pacientes), ao contrário do que conclui o senso comum, NÃO comprova a eficácia de qualquer tipo de tratamento de DTM. É bem documentado que DTM é particularmente susceptível a flutuações de sintomas, efeito placebo e remissão espontânea, por isso, a comprovação de eficácia de qualquer terapia a ela direcionada deve ser avaliada em ensaios clínicos randomizados controlados duplo-cegos, com critérios de diagnóstico validados e número adequado de pacientes.

As publicações sobre a utilização de toxina botulínica em DTM resumem-se, em sua maioria, a descrições da técnica, relatos de caso e série de casos, o que, convenhamos, é muito pouco. Alguns estudos têm encontrado resultados semelhantes quando comparada a infiltração de anestésicos com toxina botulínica, ou mesmo agulhamento seco de pontos-gatilho em dor miofascial, tanto em músculos da mastigação quanto em outros músculos do corpo.

É conhecido que a maioria dos pacientes portadores de DTMs (entre 75 e 90%) respondem bem a abordagens não invasivas e de baixo custo, como a associação de incentivos a mudanças comportamentais, exercícios terapêuticos, placas inter-oclusais e termo/crioterapia.

Assim, é possível afirmar que entre 75 e 90% dos pacientes absolutamente não precisam de Toxina Botulínica em Curitiba para o controle do seu quadro clínico.

Portanto, embora possamos contar com mais esse recurso dentro do arsenal disponível para tratamentos de disfunções gerais da face, devemos sempre ter muito critério na sua indicação, já que a proposta dentro da Odontologia é terapêutica e não cosmética.

Toxina Botulínica em curitiba